• Prosseguem as discussões técnicas que antecedem a Reunião Anual dos Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento com início agendado para esta quarta-feira. Um dos temas discutidos foi o desenvolvimento e a urbanização, tendo na altura sido defendida a canalização, para o governos locais, de pelo menos 20% da ajuda de desenvolvimento, no equivalente a US$20 mil milhões.

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  • Foi com muito interesse que recebi na minha caixa de correio virtual o primeiro numero do Pambazuka em Português e gostaria de deixar uma palavras de apoio.

    Eu tenho acompanhado o Pambazuka News nos últimos 3 anos e estou confiante que a versão Portuguesa também se tornara numa referencia como a versão original.

    O motivo do meu email e também para expressar o meu interesse em colaborar com o Pambazuka. O meu percurso profissional tem sido essencialmente em Media - TV e Radio, nomeadamente relacionado com o continente Africano.

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  • Em poucas semanas, a Mauritânia tem sido confrontada com diversos ataques terroristas reivindicados pela Al-quaeda no Magrebe. O islamismo radical não é novo neste país, mas o terrorismo e a violência dos atos perpetrados são inéditos. Se as correntes radicais ganham em audiência, elas não devem ser confundidas com o terrorismo que não tem ancoragem na Mauritânia. A ameaça vem, por enquanto, do exterior.

    24 de dezembro de 2007, véspera de Natal. Quatro turistas franceses foram friamente assassinados na Mauritânia. A hipótese de crime fraudulento foi rapidamente trocada pela hipótese de ato terrorista. Dois dias mais tarde, três soldados mauritanos foram assassinados na base militar de Al-Ghallaouia, situada no nordeste do país. O ataque foi reivindicado pela brigada da Al-quaeda no Magrebe islâmico (BAQUMI), ex GSPC algeriano (Grupo Salafista pela Predicação e pelo Combate).

    Em 5 de janeiro de 2008, os organizadores do Paris-Dakar decidiram anular a corrida mítica, preferindo seguir as diretivas do governo francês que alertava contra possíveis ameaças terroristas na Mauritânia, país no qual deveria acontecer a maior parte das provas. Na noite de 1 de fevereiro de 2008, o ‘VIP’, o maior clube noturno de Nouakchott, e a embaixada de Israel, foram tomados por alvo: seis indivíduos abriram fogo contra nesses lugares, ferindo uma francesa e dois franco-mauritanos. O ataque foi, de novo, reivindicado pelo Al-quaeda do Magrebe.

    País desconhecido há poucas semanas, a Mauritânia está agora sob o fogo dos meios de comunicação: situada entre o mundo árabe e a África negra, naquela zona cinza, saaro-saheliana, que inquieta o ocidente e mais particularmente, os americanos, ela seria hoje em dia atravessada pelas correntes extremistas do Magrebe que aumentam seu campo de atuação e ganham em audiência. A mudança é brutal, porque da Mauritânia, nos lembrávamos, principalmente, de seu islã tolerante, seu povo aberto e hospitaleiro. Ainda recentemente, a ONG International Crisis Group declarou que o fundamentalismo muçulmano não tinha mais que uma base limitada na Mauritânia, e dava como explicação a esta particularidade a organização social e religiosa baseada no tribalismo e nas confrarias muçulmanas poderosas que freavam o desenvolvimento dessas idéias (ICG, 2005).

    Neste artigo, nós tentaremos de fornecer algumas chaves de leitura, capazes de explicar esta inversão de situação e de sair dos atalhos com freqüência simplistas demais estabelecidos sobre o islamismo e pelo terrorismo. As análises não são de forma alguma exaustivas, na medida em que, hoje em dia, é difícil captar os limites desta questão na Mauritânia.

    Nós veremos num primeiro tempo, que o poder central sempre manteve relações ambíguas com o islã em geral, e as correntes islâmicas em particular. Esta breve retrospectiva permitirá de compreender porque estes estas últimas começam a encontrar certa escuta, num contexto marcado pelas desilusões, e uma pauparização crescente, propicia ao aumento de contestações.

    Nós não deixaremos de lembrar, entretanto, que o islamismo mauritano não está diretamente ligado os atos terroristas inéditos e perpetrados em nome de grupelhos estrangeiros, Al-Qaïda do Magrebe, neste caso.

    Da República Islâmica da Mauritânia a ascensão do Islamismo na Mauritânia.

    A denominação oficial de “República Islâmica da Mauritânia” pode causar alguma confusão, apesar de que um Estado islâmico não è outra coisa que um estado muçulmano. Mas a deriva lexical entre “islâmico" e "islamista” é rápida, o amálgama tendo sido facilitado, alias, com o exemplo da mais conhecida República Islâmica, o Irã, de Khomeiny. Esta última, de caráter revolucionário e radical, não se parece em nada com a República Islâmica da Mauritânia, a qual sempre se definiu por um Islã dito “tolerante”.

    Este nome, escolhido na independência em 1960, respondia aos objetivos políticos. O primeiro presidente Mokhtar Ould Daddah queria fazer de seu país um hífen entre a África do Norte e a África negra. O Islã foi colocado em primeiro plano para ultrapassar a dupla pertença cultural e assegurar a coesão entre as populações mouras e negro-mauritanenses (Halpulaar, Soniké e Wolof) que compõem a sociedade. Ele legitima, desde então, a existência do Estado mauritano e se considera o cimento de uma nação 100% muçulmana.

    Quando o coronel Haïdallah toma o poder em 1980, ele procurou reforçar o lugar do Islã e sua prática no país. Para isso, ele instaura a sharia (lei islâmica) em 1982. Maouiyya Ould Sid'Ahmed Taya, que o sucede a partir de 1984, dá continuidade a essa lógica de referência política à religião interditando, dentre outras coisas, o álcool. Contudo, no começo dos anos 1990, sob pressão exterior, Taya é constrangido a democratizar o país. Neste novo contexto, os islamistas passíveis de integrar o jogo político, inquietam o regime: em 1991, Taya tenta limitar sua audiência proibindo a constituição de partidos de caráter religioso.

    De 1994 a 2005 grandes batidas policiais acontecem, regularmente seguidas de anistias. Em verdade, o regime adota uma estratégia ambígua, posto que os ameaça no lugar de lutar verdadeiramente contra eles. Taya, frequentemente, insiste sobre o fato de que não há lugar para o islamismo na Mauritânia, na medida onde todo o mundo é muçulmano. Na opinião do ICG (2005), o regime de Taya teria forjado o “perigo islamista” para demandar apoio do Ocidente e assim, desviar a atenção para a inexistência de democracia no país.

    Depois do golpe de estado de 3 de agosto de 2005, a posição do governo frente aos islamitas evolui. O Comitê Militar pela Justiça e pela Democracia (CMJD) toma o poder e lança as bases da renovação democrática (ICG, 2006). Desejando romper com os métodos coercitivos do regime de Maouiyya Ould Taya que se manteve mais de de20 anos à frente do Estado, o CMJD, conduzido por Ely Ould Mohamed Vall, faz múltiplas consultas à sociedade civil e reformas democráticas. Neste clima de abertura, os islamistas são rapidamente soltos. Os membros do CMJD se engajam, por outra parte, a não se apresentar às eleições presidenciais a fim de render o poder às autoridades civis. A eleição presidencial de março de 2007 encerra a transição democrática iniciada pela juntar militar: Sidi Ould Cheikh Abdallahi foi eleito democraticamente à frente do Estado.

    O novo governo se mostra também ele muito menos virulento frente aos islamistas. Em junho de 2007, um processo contra indivíduos supostos de pertencerem ás correntes islamistas, acaba por absolvê-los, por falta de provas. Ora, entre estes indivíduos absolvidos, encontrava-se Sidi Ould Sidna, um dos assassinos dos quatro turistas franceses. Esta mudança de olhar sobre o movimento islamista se observa ainda pelo reconhecimento, durante o verão de 2007, do partido Tawassoul (União Nacional para a Reforma e o Desenvolvimento), dirigido pelo deputado Mohamed Jemil Ould Mansour, líder islamista moderado. Seu partido dispõe, a partir deste momento, de uma sede em pleno coração de Nouakchott, símbolo de sua legitimidade.

    Esta nova posição frente às correntes islamistas é taxada por alguns como complacente. Para outros, essa volta da “religiosidade” procurou acalmar este momento de crise. Ela se manifestou pelo retorno do final de semana muçulmano (feriado sexta e sábado); a construção de uma mesquita no palácio presidencial e inumeráveis rondas de policiais e de prisões nos bares e restaurantes de Nouakchott supostos de venderem álcool. .

    Um clima de crise sócio-econômica propício à contestação

    A “transição democrática” a instalação de um novo governo eleito fizeram nascer uma grande esperança de mudanças no seio da população. Esta transição foi aplaudida no exterior e erigida como um modelo a ser seguido. Ao mesmo tempo, a Mauritânia entrou no círculo fechado dos países produtores de petróleo. A exploração de um campo petrolífero off-shore em 2006, criou as condições de renovação econômica e suscitou novas aspirações. Mas, a produção petrolífera teve ser revista, no sentido de abaixar as aspirações, por causa de problemas técnicos, e o desenvolvimento econômico tão esperado, só foi aproveitado, por enquanto a uma minoria da população.

    Três anos após o anúncio do petróleo e o início da transição, o entusiasmo que havia levantado às multidões cedeu lugar à decepção e à ansiedade. Por um lado, os mauritanos descobrem que a ruptura, tanto anunciada “pela transição democrática” é totalmente relativa: só precisa olhar o nome daqueles que detêm as engrenagens do Estado para descobrir que eles continuam inalterados. Por outro lado, constatam com amargura a degradação das condições de vida, quando tinham prometido para eles um enriquecimento rápido graças a este famoso maná petrolífero e uma redistribuição dos recursos com a democratização. No Outono 2007, “os motins do pão”, que estouram em várias cidades após um aumento dos preços dos bens de consumo, traíram esse desassossego. Este contexto social, marcado pela crise, explica que o povo seja ainda mais receptivo aos discursos extremistas.

    Porque preconizam a moralização do Estado, estes discursos encontram uma larga escuta junto aos mais indigentes que vêem a capital Nouakchott cobrir-se de mansões, mais extravagantes uma que outras. Nunca a riqueza tinha sido ostentada de uma maneira tão visível. Muitas pessoas interrogam-se sobre a proveniência deste dinheiro. A corrupção é uma das primeiras explicações. A ajuda ao desenvolvimento, particularmente importante neste país que é considerado como um bom aluno pelos sócios capitalistas, regularmente é desviada.

    O novo regime propõe-se lutar contra esta “praga” mas os resultados fazem-se esperar. O tráfico de drogas é igualmente fonte de enriquecimento rápido. O país foi recentemente apresentado como uma das plataformas das redes mafiosas. Numerosas prisões foram efetuadas nestes últimos meses, uma delas envolvendo o filho do antigo presidente Haïdallah. O povo só pode constatar a ruptura entre ele e a nova elite urbana. Os costumes ocidentais dessa elite, às vezes julgados depravados, são o alvo de vivas críticas.

    A radicalização dos discursos e a forte mobilização dos habitantes são principalmente perceptíveis na cidade, lugar de debate, de expressão e de politização. Ora, a urbanização tem sido maciça nos últimos trinta anos, após grandes períodos de seca. A capital Nouakchott, criada ex-nihilo em 1957 é, com o seu milhão de habitantes, a melhor ilustração deste crescimento urbano espetacular (Choplin, 2006). Os néo-urbanos então se conectaram a outras redes e canais: a informação circula através das cadeias árabes, em especial Aljazeera, ou Internet. De fato, é na cidade que os indivíduos tomam consciência da sua marginalidade e procuram fazer entender as suas vozes (Choplin, Ciavolella, 2008).

    Perante o empobrecimento crescente, alguns voltaram-se para correntes políticas profundamente críticas, mobilizando às vezes o imaginário religioso. Uma leitura wahhabite do Islã, veiculada pela influência saudita e das ONG islamistas, fez uma intrusão nos bairros desfavorecidos da cidade. O sociólogo Yahya Ould GR Bara (2003), especialista do Islã mauritano, demonstrava que o número de mesquitas tinha aumentado consideravelmente nestes últimos anos: em 2003, a cidade contava 617 mesquitas contra 17 em 1967. Ele especificava que destas 617 mesquitas, 322 eram geridas por benfeitores estrangeiros originários do Golfo Pérsico, e 17 por fundamentalistas.

    Mais famosa das mesquitas chamadas fundamentalistas esta erigida num bairro pobre da capital. Uma boa parte dos fiéis que frequentam-na é de jovens haratin (os descendentes de antigos escravos), particularmente sensíveis aos discursos igualitaristas de um Islã dito puro (ICG, 2005). Estes haratin rejeitam, com efeito, o Islã mauritano das confrarias que nunca questionou as hierarquias estatutárias tradicionais opressivas. Ao contrario, as correntes fundamentalistas são um meio para denunciar a hegemonia dos chefes de tribos marabouticas que se designam como os únicos depositários do Islã.

    Islamismo mauritano versus terrorismo estrangeiro

    A ascençao dos discursos fundamentalistas evocada previamente não implica em que todos os Mauritanos sejam doravante simpatizantes de Ben Laden e prontos a cometer atos terroristas. Estes últimos muito têm sido condenados largamente pela população que não compartilha necessariamente os motivos dos malfeitores. O assassinato dos quatro franceses suscitou muita indignação e agitações. O ataque do VIP não ganhou a aprovação popular, apesar de esta discoteca ser freqüentada por inúmeros estrangeiros e conhecida para ser um lugar onde circulavam com toda impunidade o álcool, a droga e as prostitutas.

    Quanto à embaixada do Israel, os assaltantes procuraram certamente denunciar a política do governo mauritano que, após pressões americanas, mantém relações com o Estado hebreu desde 2000. Se numerosos mauritanos (em especial, certos Mouros que reivindicam uma afiliação do país com mundo árabe) sempre se opuseram ferozmente a esta aproximação política, necessariamente eles não se contentaram com este ataque. Muitos mauritanos ficaram indignados, igualmente, com o anúncio da anulação “do Dacar”, não compreendendo como o seu país tinha podido passar de uma imagem “de país tranqüilo” à “de inimigo perigoso do Ocidente”.

    Porque, temos de lembrar, o islamismo na Mauritânia, tão radical que possa ser, ele nunca serviu de base a movimentos “terroristas” como podemos observar em outros países (Kepel, 2000; Roy, 2002; Gomez-Perez, 2005). Os partidos islamistas mauritanos eles próprios recordam que nunca não convidaram o seu fiel a fazer uso da violência e que não são, de modo algum, ligados à Al-Qaïda no Magrebe. Recente numa entrevista concedida à Rádio França Internationale 8, Jemil Ould Mansour, chefe islamista moderado, condenava firmemente os atos terroristas, que ele julgava isolados e atribuía-os a grupos não-organizados. A ameaça terrorista, por conseguinte, é percebida como que vinda do exterior e sem relação com o Islã radical que se enraizou localmente. Um outro fato corrobora esta idéia: após o assassinato dos quatro Franceses, os assassinos fugiram para países vizinhos, sinal de que não existe nenhuma base terrorista na Mauritânia susceptível de protegê-los.

    Assim, por conseguinte, as relações entre a ascensão do islamismo e terrorismo islamista não são implícitas na Mauritânia. Os mauritanos estão, hoje, inquietos e ainda mais angustiados porque as autoridades não parecem de modo algum dominar a situação. Recusam a idéia que possam doravante ser percebidos como terroristas e não cessam de recordar através de manifestações que condenam os ataques ou de numerosos artigos publicados nos fóruns de discussão. No entanto, temos o direito de nos perguntar se a audiência crescente das correntes radicais à escala urbana local não poderiam, com o tempo, favorecer novos atos terroristas. A fronteira entre os dois “mundos” continua, por enquanto, marcada, mas ela pode revelar-se porosa como o atesta a trajetória de alguns indivíduos que passaram das correntes islamistas mauritanas, não-violentas, aos grupelhos “djiadistes” estrangeiros.

    * Armelle Choplin é mestre de conferências em geografia na Universidade Paris-Est Marne-la-Vallée. Pesquisadora associada a l'UMR PRODIG onde ela realisou sua tese, ela trabalha sobre as questões urbanas na Mauritânia e no Sudão.

    * Traduzido por Alyxandra Gomes Nunes, Co-editora do Pambazuka News

    * Revisado por Mariana Blanco Rincón

    * Envie seus comentários a [email][email protected] ou comente on-line em www.pambazuka.org

    * Você pode também consultar este texto no seguinte endereço: http://echogeo.revues.org/document4363.html

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  • A eliminção da situação de pobreza absoluta e das desigualdades entre as zonas rurais e urbanas exige estratégias que permitam um desenvolvimento equilibrado e partilhado dos recursos existentes no Continente Africano. Não obstante a pobreza em África ser mais visível nas zonas rurais, este fenómeno começa também a ser preocupante em áreas urbanas, onde vivem actualmente cerca de 360 milhões de pessoas do continente (cerca de 40 por cento da população).

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  • Ainda em relação á venda de terrenos, Vanda Évora reportou-se à luta pela independência de Cabo Verde para libertar o arquipélago do colonialismo para “agora virmos ser colonizados por alguns estrangeiros de pés descalços em conluio com alguns vereadores para virem fazer de São Vicente, gato-sapato.”

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  • O registo biométrico de potenciais eleitores da Guiné-Bissau no âmbito das legislativas marcadas para 16 de Novembro deverá iniciar-se a 01 de Julho, disse hoje o secretário Estado da Administração Territorial guineense. Segundo Cristiano Na Bitan, o governo guineense e os parceiros da cooperação estão empenhados em dar início, a 01 de Julho, ao registo biométrico dos eleitores na data prevista no cronograma das acções a levar a cabo no âmbito da preparação das legislativas de Novembro.

  • O ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano manifestou hoje disponibilidade para fazer "tudo o que for necessário" para ajudar a resolver a crise no Zimbabué, se a sua intervenção for solicitada pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

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  • Um barco chinês que transportava armas para o Zimbábue seguiu nesta terça-feira para o porto de Luanda, capital de Angola, informou o agente da companhia que freta o navio, em um momento em que líderes religiosos do país africano pediam ajuda internacional para evitar que a violência pós-eleitoral cause um "genocídio".

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  • Blog do jornalista Fabio Zanini sobre a África. Neste blog o jornalista brasileiro relata seu quotidiano em terras africanas, além de cobrir a presença do presidente da República,Luis Ignácio Lula da Silva.

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  • As Nações Unidas reconhecem "grandes progressos" na consolidação da paz na Guiné-Bissau, mas encorajam as autoridades a continuar com os esforços, disse hoje em Bissau Maria Luiza Viotti, chefe da missão da Consolidação da Paz da ONU.

  • http://www.pambazuka.org/images/pt/articles/1/47533fahamu.jpgOs editores

    O Pambazuka News tem se estabelecido como uma plataforma primária para análise, debate e formação de rede para justiça social em África. Nascido há sete anos, o semanário e seu sítio são produzidos por uma comunidade de cidadãos e organizações – acadêmicos, políticos, ativistas sociais, organizações de mulheres e da sociedade civil, escritores, artistas, poetas, bloggers e analistas que, juntos, produzem uma abordagem inteligente, afiada e crítica da situação política em África, e, com isso, fazem do Pambazuka News um dos maiores e mais inovadores e influentes fóruns da rede para justiça social em África.

    Ao longo dos anos, o Pambazuka News tornou-se, não apenas um fórum de discussão, mas um instrumento usado por algumas coalizões pela justiça social por toda África. Edições especiais têm apoiado campanhas sobre direitos das mulheres, HIV/AIDS/SIDA, mídia e liberdade de expressão, liberdade sexual, auto-determinação, nas lutas dos africanos na diáspora, assim como tem celebrado a contribuição de artistas e músicos. Pambazuka News produz também podcasts e videocasts, além de publicar inúmeros livros.

    Nossa maior fraqueza, entretanto, era o problema da língua. Até 2007, publicávamos apenas em inglês. Em janeiro do ano passado, lançamos nossa primeira edição em língua francesa a partir de Dakar, no Senegal. Ainda assim, sentíamos um certo incômodo porque nossos camaradas em países lusófonos não podiam até então, se engajar no Pambazuka News. Portanto, é com enorme prazer que lançamos hoje a primeira edição do Pambazuka News em lingual portuguesa.

    Assim como sua co-irmã, a produção em língua francesa, o Pambazuka News em língua portuguesa não se caracteriza apenas como uma mera tradução da versão em inglês. Ela será estabelecida como um semanário, com suas peculiaridades, falando de um contexto e dinâmicas de luta por justiça social na África lusófona. Mas ela irá, também, dar a oportunidade de aqueles nos países francófonos e anglófonos aprenderem um pouco mais sobre suas irmãs, irmãos e camaradas de outros lugares. E isso inclui, obviamente, a diáspora africana no Brasil, Portugal e algures.

    O Pambazuka News tem tido sucesso não somente pelo trabalho feito por seus editores – Fahamu Network for Social Justice – mas também, e principalmente, por causa de seus contribuintes, que, longe de serem leitores passivos, tomaram posse do Pambazuka News e o customizaram de acordo com suas necessidades. O sucesso da edição em língua portuguesa dependerá,poratnto, de vocês: a qualidade dos artigos que publicamos, a diversidade de tópicos cobertos, e a contribuição que ele fará em alcançar justiça social e emancipação dependerá da contribuição que vocês leitores fizerem.

    O Pambazuka News é uma publicação pan-africana, pois quando falamos em África, nós nos recusamos a defini-la em termos geográficos. Não é a geografia que faz um povo, mas a sua história. E esta história significa que os africanos estão hoje dispersos pelo mundo, muitos separados de suas terras de origem através das brutalidades da escravidão, outros a deixaram por uma variedade de outros motivos. Mas todos ainda permanecem africanos de qualquer forma. E o futuro será construído sobre nossa história, não sobre nossa geografia. Portanto, o fato desta edição ser lançada inicialmente a partir do Brasil é um reflexo da história dos nossos povos.

    Nós não pararemos numa edição em língua portuguesa. Nossos planos incluem o desenvolvimento de uma edição em árabe e em suahili. A partir daí, poderemos publicar em outras línguas africanas também. Tudo isso levará tempo, e também precisará de dinheiro infelizmente!!! Nós lançamos a edição em língua portuguesa com uma bolsa da Christian Aid. Isso é apenas o começo. Caso você não possa contribuir com artigos, você ainda poderá nos ajudar enviando doações através do link

    Gostaríamos de destacar que estamos abertos a receber suas contribuições em diversas formas: artigos com análise contundentes sobre a situação política em seus respectivos países, pois o cunho de nossas publicações transita entre o acadêmico e o militante; cartas, e-mail, poemas, contos inéditos ou opiniões. Faremos o possível para publicar o material recebido.

    Sejam todos e todas bem-vindos ao Pambazuka News Português!

    * Firoze Manji, Diretor, Fahamu – Networks for social justice; Editor, Pambazuka News

    * Alyxandra Gomes, Co-editora, Pambazuka News Português

    *Por favor envie comentários para [email][email protected] ou comente on-line em http://www.pambazuka.org

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  • O diploma levou mais de 10 anos a ser produzido e mesmo depois de pronto continua a gerar a controvérsia. Nos dois extremos estão o patronato e os sindicatos, e no meio o governo. As relações laborais em Cabo Verde passam, a partir desta quarta-feira, a ser reguladas por um novo Código do Trabalho.

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  • O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, acusou nesta sexta-feira o Reino Unido de estar por trás do grupo de opositores que quer tirá-lo do poder e afirmou que não permitirá que seu país "seja de novo uma colônia". "Estamos sendo comprados como cordeiros, pois estamos sofrendo", afirmou o ditador do Zimbábue em ato que liderou em um estádio do bairro de Highfield, aos arredores de Harare, para lembrar o 28º aniversário da independência do país.

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  • Funcionários da comissão eleitoral do Zimbábue devem começar neste sábado, 19, uma recontagem parcial dos votos das eleição do dia 29 de março, apesar dos protestos da oposição e do temor de que a situação política no país possa causar uma onda de violência.

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  • Na Guiné-Bissau o parlamento aprovou uma lei excepcional que determina a extensão do mandato legislativo até às próximas eleições. Os deputados evitam assim o vazio legislativo que passaria a existir a partir do dia 21 de Abril, pois o mandato governativo deveria terminar um dia antes.

  • http://www.pambazuka.org/images/pt/articles/1/47521man.jpgNeste primeiro número do Pambazuka News em língua portuguesa, Jacques Depelchin fala-nos de um intelectual orgânico como Aquino de Bragança,num ensaio biográfico e apaixonante.

    Num contexto em que a globalização deixa cada vez menos espaço para pensar fora dos paradigmas ditados pelo sistema, é crucial lembrar uma personalidade que conseguiu fazer da sua vida um exemplo de fidelidade à politica emancipativa, sem cair, como gostava repetir, no Marxismo de cartilhas. Não era o único, houve outros, como por exemplo, Mário Pinto de Andrade, que se lançaram no projecto de libertação da África colonizada por Portugal, decididos à não cair na armadilha (quer dizer submissão) às regras dos partidos comunistas das metrópoles dos colonizadores.

    A grande paixão politica e intelectual do AB era de sempre procurar respostas singulares aos desafios não só do momento, mas também do futuro. Queria fazer do CEA não só uma instituição dedicada à resolver os problemas imediatos de Moçambique, como, por exemplo, a falta de quadros, mas também procurar aliados em zonas, países que pudessem apoiar num processo de emancipação que ele considerava crucial para África Austral, mas também do mundo inteiro. Partilhava a ideia (que se podia ler num cartaz daquela época) que o Apartheid era crime contra a humanidade. Para ele o projecto emancipativo necessitava romper com hábitos de pensar que a humanidade era só aquela que vinha directamente do iluminismo ou de qualquer outra ideologia que tratava os Africanos e dentro deles, sobretudo os mais pobres, camponeses, operários, crianças, mulheres. BREF, como costumava dizer, a obrigação/fidelidade era de ser solidário com os discriminados/danados da Terra. O projecto emancipativo, pertencia ao mundo inteiro e tinha que ser entendido como tendo a sua origem nos primórdios da humanidade; não podia ser mantido refém de qualquer modo de teorização ou de conivência politica e/ou ideologica. Neste sentido, ele pertencia aos que pensavam que o comunismo não pertencia ao modelo que surgiu nos últimos séculos, mas sim aos que sempre viveram, sem equívocos, com base nos princípios de solidariedade. Numa altura em que a cooperação Sul-Sul não se tinha tornada moda, ele convidou um estudante Brasileiro (1981-84) para vir pesquisar (para doutoramento) sobre a historia de Moçambique. Um dos frutos desta visão saiu em 2007 com a publicação do livro de Valdemir Zamparoni: De Escravo a Cozinheiro: Colonialismo e racismo em Moçambique (EDUFBA/CEAO, Salvador, Brasil). Seremos capazes de continuar nos seus traços fora das cartilhas de historia? Descartilhando a historia da África para que seja fiel a historia da humanidade?

    Sou anti-anti-comunista

    Assim se definia politicamente Aquino de Bragança. Ele nasceu em Goa onde, aos 15 anos de idade, tornou-se membro dum dos múltiplos partidos comunistas. Em 1948 seguiu para Moçambique, enquanto o seu amigo Pio Pinto parou em Mombasa. Em 1949 vai para França, onde encontrara Marcellino dos Santos, futuro grande amigo.

    Este ensaio não pretende ser uma biografia, nem mesmo um esboço. Pretende-se, sim, encorajar uma pesquisa mais seria, mais serena não só da vida de AB, mas também de tantos outros Moçambicanos, Africanos cujas contribuições tendam, a ser desconsideradas por causa dum meio ambiente, hoje, ideologicamente dominante que, tacitamente, vai silenciando todo aquilo que se refere a períodos e processos de lutas contra a colonização. Não seria/será a primeira vez que uma pequena, mas crucial, parte da historia da emancipação da Humanidade acaba por ser apagada só porque os que ousaram o impossível, pior, o proibido, conseguiram vencer e, consequentemente, foram castigados da maneira mais severa possível.

    Os precedentes mais famosos (de Africanos e Afro-descendentes que também romperam com a proibição) são bem conhecidos: Saint-Domingue/Haiti para o século 19, e Cuba para o século 20. O paradigma que saiu da era das descobertas (e que continua hoje) ditou que só podem descobrir algo os “Descobridores” e os seus herdeiros/aliados. Por definição, um “descoberto” genérico (os pretos, os intocáveis, as mulheres, os discriminados, os que recusam a submissão à globalização, etc.) não podem descobrir algo, e, sobretudo algo que fosse mais valioso para Humanidade como a Liberdade, Igualdade, Fraternidade (França, 1789; Haiti 1791-1804).

    Mas quando se trata de escravizados ou de colonizados que descobrem a sua liberdade/emancipação, os auto-proclamados donos da Terra fizeram todo para que só reine a liberdade dum sistema sistémico nascido (pelo menos nas suas raízes das Américas e das Caraíbas) dum duplo genocídio. A liberdade do Mercado de hoje (que, segundo os seus papas, magicamente resolve todos os problemas sociais, económicos, políticos, até ambientais) nasceu, entre outras raízes, do marketing/mercadorização de Africanos raptados no Continente, para resolver a falta de mão de obra barata, por sua vez, causada pelo genocídio das populações nativas.

    Historicamente falando, para não dizer moral e filosoficamente, vale a pena perguntar quem tem mais credibilidade em falar de liberdade: os que puseram fim a escravatura (na França, desde a Lei Taubira (2001), considerada como crime contra a humanidade), como em Haiti (1804) ou os que, depois, fizeram tudo e organizaram-se para que –via punição colectiva—aquela parte da Humanidade pagasse um preço tão caro quão exemplar pela sua ousadia, com o objectivo de restaurar a liberdade e o domínio dos escravizadores. Mais tarde, esta historia será branqueada, por via da ocupação colonial. A ideia do branqueamento (ou silenciamento) da historia é simples: para os que aproveitaram desses processos de exploração, tornou-se um habito de apagar a origem histórica e criminosa dessa liberdade dum mercado que, lentamente, mas seguramente, alem de lucros incomensuráveis, esta desregulando até o sentido do significado da Humanidade.

    Faz-nos muito falta biografias de pessoas que, como AB, construíam (e alguns não deixaram de continuar) uma outra maneira de viver não só em Moçambique, mas no mundo inteiro, pessoas que não se contentavam de “fazer o seu trabalho” e que tentavam, sem parar, de manter a sua fidelidade ao Evento que trouxe a emancipação. Este ensaio gostaria encorajar pelo menos um processo de recolha de dados primários e outros para que as futuras gerações tenham a possibilidade de entender os porquês desta fidelidade que nada tinha a ver com fé ou ideologia. Pois, o entusiasmo para a liberdade do Mercado poderia levar pessoas a tratar aquela história como se fosse danada e que, ate, valia melhor esquecida e atirada para a famosa caixa do lixo da história, e que podemos talvez chamar, nesta circunstancia: Vamos Esquecer. Pois, entre os donos da Terra, tem uma expressão inglesa para descrever o vencido: You are history (Você é historia). Quer dizer não conta para nada.

    Pensador/cientista/filosofo/militante

    Formado em física/matemática, curiosidade e criatividade dominavam quando confrontado com novos problemas. Por isso admirava muito os artistas, pintores, escultores, poetas, cineastas que praticavam a sua arte sem cair naquilo que AB costumava chamar de vulgata /catecismo que dominava o pensar politico. Só recentemente me deu conta da subtileza do seu “sou anti-anti-comunista”. Claramente queria desmarcar-se, por exemplo, de Jean-Paul Sartre (que conheceu pessoalmente) que chamou uma vez anti-comunistas de cães. Mas, ao mesmo tempo, Sartre tergiversava em relação à União Soviética. Era AB marxista? Não, no sentido ortodoxo da palavra, salientando repetidamente o seu desgosto para o marxismo de cartilhas. Como cientista, mas também como alguém que sempre procurava ir alem dos modelos e hábitos de pensar, não podia aceitar a ideia de que a verdade parava na sabedoria duns teóricos só.

    Historiador/pesquisador: “Aqui não há questões ou temas tabus”

    Tipicamente, AB, militante e fazedor da história, não gostava falar dele próprio ou do seu papel no processo de libertação duma grande parte da África. Por isso, este ensaio ficara muito aquém daquilo que mereceria o tamanho da sua contribuição nesta área.

    Gostava muito da historia como disciplina, mas também não no sentido praticado pelos donos da disciplina. Preferia sempre pensar indisciplinadamente como por exemplo quando, pensando alto, perguntava retoricamente, “E se as Zonas Libertadas tivessem sido os nossos sovietes?” Uso irreverente? Talvez, mas também ilustração dum pensar em constante movimentação, disciplinando-se, organizando-se mentalmente para não ficar atrás do Evento histórico. Como Director do CEA, insistiu para criação do Núcleo de Historia (conhecido como Oficina de historia). “Oficina” como tradução de “workshop” ou “atelier” para acrescentar o facto de que a historia esta sempre mudando, conforme as perguntas colocadas. Sentia e partilhava a urgência de conhecer e fazer conhecer a historia das Zonas Libertadas (e sobretudo de Cabo Delgado) a partir da boca dos/das que de 1962/64 até 1974/5 foram o ponto da lança duma vitória que nem a Ofensiva No Gordo (1970-72) conseguiu parar. Derrotada, a ofensiva, acabou com a abertura da frente de Tete. Uma das suas preocupações era “desideologizar” a historia e evitar que houvesse temas ou perguntas tabus.

    Em Julho de 1984 acompanhou a equipa da Oficina de Historia para o distrito de Mueda para ver/saber do(a)s camponese(a)s como tinham vivido aquele processo, pois as Zonas Libertadas eram muito mais do que uma vitória militar. Ilustrou, essa vitoria, que, ao contrario do que pensavam os lideres do Apartheid e do Portugal, Moçambicanos/
    Africanos eram capazes de vencer na teorização, organização e execução dum processo de libertação sem pedir licença. Como já mencionei mais acima, esta ousadia será paga com uma guerra quentíssima e brutal, friamente atiçada pelos protagonistas hegemónicos da Guerra Fria. Quem sabe, talvez no próximo século será declarada, essa guerra, um crime contra a Humanidade, caso ela sobreviver.

    AB tinha conhecido de perto todos os dirigentes das lutas de libertação de Angola, Guiné Bissau/Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, e não só. A lista seria longa demais. Sabia que estava vivendo uma transformação histórica e que não havia tempo para descansar, pois o inimigo sistemático e sistémico, já a partir de 1976, estava organizando o castigo exemplar, pois alem da derrota em África, tinha que se vingar da derrota também exemplar, no Vietname, em 1975. AB estava muito consciente da relação de forças desfavorável apesar da impressão popular que, a vitoria de 1975 dava a impressão que tudo era possível. Mas, como lamentava, as vezes, sem saudosismo, o espírito de Bandung (1954/5) apesar de ter conduzido à organização dos Países Não Alinhados, já não tinha a energia da sua infância.

    Jornalista

    A fama internacional do AB véu em grande parte dos artigos que escreviam regularmente para Afrique Asie. Falando francês e inglês, podia seguir os eventos em qualquer parte da África. Depois de 1975, apesar das suas funções oficiais e não oficiais, dedicava uma boa parte do seu tempo dando palestras na escola do jornalismo, partilhando com jornalistas mais jovens a sua paixão para uma profissão que, pelo menos para ele, tornou-se uma escola onde, se o trabalho fosse bem feito, não se parava de aprender, e de partilhar aquilo que se aprendia. O seu grande amigo Prof. Augusto de Carvalho, fundador do Expresso e hoje continuando no caminho do seu companheiro de luta terá, se posso me permitir, obrigação de nos contar (com tanto(a)s outro(a)s jornalistas o que fazia de AB um jornalista hors pair. Pois, dizia AB “amizades valem só quando ditatoriais”.

    Diplomata: “E preciso saber engolir sapos”

    Como todos AB tinha inimigos, mas tinha uma maneira inexplicável de ver os inimigos (pelo menos não mortais) com serenidade, mas sobretudo com a curiosidade e a convicção de que ia aprender alguma coisa valiosa conversando com a pessoa. O principio que o guiava era uma outra mantra: “é preciso saber engolir sapos”. Devia ter perguntado se, por acaso, terá havido ocasião ou ocasiões, em que ele não conseguiu engolir sapos. Duvido pois tinha uma capacidade extraordinária de relacionamento com qualquer pessoa, conhecida ou desconhecida, antipática, diabólica, etc.

    Em Agosto de 1982 ficou ferido com estilhaços da bomba que matou a Directora Adjunta do CEA, Ruth First, membro do ANC. Esta barbaridade impactou-lhe de tal maneira que levou-lhe mais ou menos 2 anos para recuperar plenamente. O choque fez-lhe recordar amargamente a perca (por doença), em 1979, de Mariana, esposa e mãe dos seus filhos, Radek e Maya. Sem os quais teria sido muito difícil concentrar-se com mais força sobre o dossier chave da África do Sul e do Apartheid. Coroou a sua recuperação namorando e casando Sílvia.

    Ao examinar a personalidade de AB, descobre-se que, afinal, o seu talento era imenso e dificilmente medível, pelo menos a partir dos critérios usuais. Para os seus antagonistas ideológicos era considerado não fiável, um maverick. Deixava as mas línguas disseminar o seu veneno porque só tinha um interesse: servir fiel e incansavelmente o Presidente Samora Machel numa missão que podia ser descrita assim : a partir duma situação de grande fraqueza, alvejar o impossível. O que também, segundo Alain Badiou define a coragem.

    Em conclusão e para homenagear uma vida dessas, pergunto (sobretudo porque nunca aconteceu) se os méritos do Prof. Aquino de Bragança não deviam ser reconhecidos com uma nomeação, à titulo póstumo, ao cargo de Professor Catedrático de Historia e Relações Internacionais.

    * Jacques Depelchin é professor visitante no Pós-Afro, do Centro de Estudos Afro-Oirentais da Universidade Federal da Bahia - Salvador,Brasil

    *Por favor envie comentários para [email][email protected] ou comente on-line em http://www.pambazuka.org

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